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Leituras para o XXXII Domingo Domingo Comum - B
Leitura do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 17,10-16) Naqueles dias, 10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”. 11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão”. 12Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. 13Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. 15A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias. Salmo responsorial (Sl 145) Bendize, minh’alma, bendize ao Senhor! O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro, quem ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos! Leitura da Carta aos Hebreus (Hb 9,24-28) 24Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. 25E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. 26Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27O destino de todo homem é morrer uma só vez e, depois, vem o julgamento. 28Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam. Aleluia, aleluia, aleluia! (Mt 5,3) Felizes os pobres em espírito, Porque deles é o Reino dos Céus. Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Mc 12,38-44) Naquele tempo, 38Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. 41Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. 43Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. 44Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.
Escrito por Dom Henrique às 00h01
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Roteiro bíblico-catequético para o XXXII Domingo Comum - B
1. Estudo da primeira leitura: è O contexto desta perícope bela e dramática é o Reino de Israel no século IXaC. Era o reinado de Acab, casado com Jezabel, princesa arameia. Ela havia introduzido em Israel o culto a Baal e com esta prática idolátrica havia conquistado o coração do Povo de Deus. Resultado: o Senhor suscita Elias para fustigar o seu povo e reconquistá-lo. O próprio nome do profeta é um grito de guerra contra Baal: Eliah (Iah = o Senhor; El = Deus. Elias = o Senhor é Deus). è Porque Israel fechou seu coração para o Senhor, o Senhor fechou-lhe as portas do céu: não cairia mais chuva ou orvalho sobre Israel. A chuva e o orvalho são sinais da graça do Senhor Deus. Leia 1Rs 17,1. è Agora leia os vv. 2-9. Deus cuida do seu profeta, mas, por outro lado, também os amigos de Deus sofrem as situações de miséria da condição humana. Também Elias passa sede e tem que fugir da seca... É torta uma fé que pensa em Deus como uma redoma que nos isenta dos problemas da vida. A Escritura nunca apresenta um Deus assim... Pense nisto! è O Senhor manda o seu profeta para Sarepta no sul do Líbano. Elias vai para uma terra pagã, para o meio dos pagãos... É aí que se dá o acontecido na leitura de hoje. Releia o texto... è Também ali a seca havia chegado... Imagine a pobre viúva faminta e miserável, uma mendiga com seu filhinho... É na casa de alguém assim que o profeta de Deus chega... E Deus está aí, na vida, no dia-a-dia, nas situações banais da existência, nas nossas misérias, nas mil histórias dos pobres, dos pequenos, nas nossa vidas miúdas. Pense nisto! è O homem atual, tão racionalista e tão prisioneiro de sua lógica, poderia perguntar: Mas, porque Deus fez a seca chegar também ao Líbano? Por que fez essa viúva sofrer? Ela pensa em comer o último bocado de trigo com seu filhinho e depois, esperar a morte de fome! Que cena triste! Que justiça é esta? Nós não sabemos, não temos as respostas... Ou melhor, temos a única que interessa: O Senhor é Deus, o seu nome é Amor, mesmo por trás das nuvens escuras da vida! Ele é grande, ele é sábio! Ele sabe tudo; nós não sabemos nada! Bendito sejas tu, Senhor nosso Deus, que guardas os segredos! Reze o Sl 138/139, louvando e adorando a misteriosa sabedoria do nosso Deus. è Observe os vv. 13-14: como o profeta instiga a fé da mulher no Deus de Israel... E ela crê: faz, para o profeta, um pão com o último bocado que lhe restava, a ela e ao seu filho, confiando no Deus de Israel! Bendita fé desta bendita viúva, que tem um coração de pobre porque sabe se abandonar ao Senhor Deus! Recorde como Jesus elogia a fé dessa mulher. Leia Lc 4,25s. è O resultado de uma fé assim é a fecundidade, a vida plena... Mas, observe: a farinha e o óleo vêm a cada dia, aparecem a cada dia na jarra. O carinho de Deus, sua providência são assim: nunca experimentados uma vez por todas... São-nos dados a cada dia, como o pão nosso, de modo que somos sempre mendigos diante do Senhor. E esta é nossa alegria, nossa liberdade, nossa paz... 2. Estudo da segunda leitura: è Para compreender bem este texto é importante compreender o rito do Dia da Expiação, próprio do judaísmo. Então, o sumo sacerdote entrava no recinto do Altar da Tenda de Reunião e, quando já havia o Templo, no Santo dos Santos. Aí oferecia o sangue de um cordeiro pelos pecados de Israel. Este rito era repetido anualmente. Leia Lv 16. è O que diz a Carta aos Hebreus? (1) Cristo é o nosso Sumo Sacerdote perfeito, eterno e verdadeiro; (2) Ele não entrou num santuário terrestre, mas no próprio céu, do qual o santuário terrestre era somente uma pálida imagem; (3) Ali, na presença do Pai, ele exerce eternamente o seu sacerdócio oferecendo o seu próprio sacrifício. Leia no Ap 5,6 a belíssima imagem do Cordeiro diante do trono de Deus, de pé como que imolado! (4) Este sacrifício de Cristo é perfeitíssimo: porque é sacrifício do próprio Filho divino feito homem, porque é o sacrifício de si próprio, porque é fruto de um amor eterno, que ama até o extremo ao Pai e aos outros por amor do Pai! (5) Tal sacrifício de Cristo está no céu, glorificado, com uma eficácia eterna e imutável, de modo que não pode nem precisa nem deve ser repetido: Cristo nos salvou uma vez por todas com seu santíssimo sacrifício! (6) Como todo homem, o Filho de Deus feito homem morreu uma só vez para tirar o pecado do mundo; (7) Este Cristo glorioso no céu, haverá de aparecer em glória no final dos tempos, mas não mais com aquela natureza humana humilhada pela sua solidariedade com o nosso pecado; ele aparecerá como homem pleno da glória divina, homem pleno do Espírito do Pai e glorificará com o fogo do Espírito todas as coisas! è Note bem: a Escritura não admite a reencarnação: cada pessoa vive e morre uma só vez e depois será julgada! Quem quiser enganar-se que se engane com doutrinas falsas e ilusórias! è Pense e procure responder: Se o sacrifício de Cristo é eterno e perfeito e foi oferecido uma vez por todas, não é um erro celebrar o sacrifício da Missa? Lutero chegava mesmo a dizer que a Missa é uma blasfêmia, pois inutiliza o sacrifício de Cristo! É que Lutero não compreendeu nada! A Missa não é uma repetição do sacrifício de Cristo, como se ele morresse novamente! Em cada Santa Missa, pela força do Espírito Santo, torna-se presente no Altar o próprio sacrifício do Cristo tal qual está no céu! Na Missa, é o próprio Cordeiro de pé como que imolado que se faz presente no Altar, na sua eterna e perfeita oferta ao Pai. Assim, em cada Missa, o céu desce, a terra sobe, é-nos dado participar das coisas do céu, da vida de Deus! Para usar uma linguagem mais precisa: em cada Sacrifício da Missa torna-se presente sobre o Altar o próprio Cristo morto e ressuscitado, o Cordeiro em sua imolação gloriosa! A intercessão e adoração que ele presta ao Pai na sua humanidade gloriosa torna-se presente sobre o Altar, para ser nossa oferta e nosso alimento! Mais que o pão da viúva de Sarepta, esse Alimento divino nos dá a verdadeira vida, que não acaba: a Vida de Deus! Em cada Missa, nós nos unimos àquela multidão do Apocalipse, que adora o Cordeiro que está diante do Trono do Pai, do qual jorra a água do Espírito Santo. Repito: na sagrada Liturgia nos é dado participar das coisas do céu. É esta a verdadeira festa, o verdadeiro sentido desse Santíssimo Mistério que nunca deveria ser banalizado, como acontece hoje em tantas de nossas levianas e deformadas liturgias de profundo mal gosto... è Para quem desejar conhecer melhor o sentido da liturgia da Missa, recomendo dois livros: O Banquete do Cordeiro, de Scott Hahn, e o Introdução ao Espírito da Liturgia, de Joseph Ratzinger (Bento XVI). 3. Estudo do evangelho: è Releia o texto e observe dois comportamentos totalmente opostos. Quais são? è Veja os escribas (= doutores da Lei de Moisés): sua prática religiosa não é vivida diante de Deus, como adoração e dedicação, mas como busca de afirmação, prestígio, privilégio e até mesmo máscara para o pecado (devorar a casa das viúvas é explorá-las sexualmente, aproveitando que são desvalidadas). Veja também a sentença de Jesus: o inferno (cf. v. 40). Esta palavra do Senhor é totalmente válida ainda hoje e nos deve fazer pensar seriamente... è Veja a atitude da viúva diante do cofre do Templo: numa total confiança e entrega ao Senhor Deus, dá-lhe tudo quanto tem para viver, com uma generosidade comovente! Pense na viúva de Sarepta na primeira leitura. Recorde do que Jesus falou em Mt 5,3: “Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus!” è Pense no quanto esta cena do Evangelho é atual, é repetida e nos incomoda: nossa prática religiosa é sincera? Nossos atos diante de Deus são com o coração? Vivemos diante de Deus ou nos preocupamos em aparecer ante os outros? Quais são nossas motivações no bem que fazemos? Somos hipócritas, pecando sob a aparência de piedade? Coisas para pensarmos... Só nos resta pedir com a oração inicial da Missa de hoje: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”.
Escrito por Dom Henrique às 23h59
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Estou à porta e bato...
Dos Sermões de Santo Ambrósio (340-397), bispo e doutor da Igreja: O Verbo sacode o preguiçoso e desperta o dorminhoco. Com efeito, Aquele que vem bater à porta quer sempre entrar. Mas depende apenas de nós que entre ou não, que Se demore ou não. Que a tua porta esteja aberta Àquele que vem; abre a tua alma, alarga as capacidades do teu espírito, a fim de descobrires a riqueza da simplicidade, o tesouro da paz, a doçura da graça. Dilate-se o teu coração; corre ao encontro do sol da luz eterna que «ilumina todo o homem» (Jo 1,9). É certo que esta luz verdadeira brilha para todos; mas se alguém fecha as suas janelas, privar-se-á da luz eterna. Por conseguinte, até Cristo permanece de fora, se fechares a porta da tua alma. Certamente que poderia entrar, mas não quer introduzir-Se à força, não quer forçar quem O recusa. Nascido da Virgem, saído do seu seio, irradia todo o universo, a fim de resplandecer para todos. Os que desejam receber a luz que brilha com um esplendor perpétuo acolhem-No; nenhuma noite virá impedi-Lo. Com efeito, o sol que vemos cada dia cede o lugar às trevas da noite; mas o Sol da justiça (Mal 3, 20) não conhece ocaso, porque a Sabedoria não é vencida pelo mal. 
Escrito por Dom Henrique às 09h44
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Aquele Crucifixo
Para você, caro Internauta, estas belas palavras surgidas num jornal italiano contra a sandice pagã dos juízes da União Européia. Graças a Deus as reações indignadas são tantas em toda a Europa! Aquele Crucifixo somos nós, porque aquele Cristo morreu sobre a cruz representa o humano sofrimento que se doa aos outros, representa o eu que se faz nós diante da dor da história. A Corte europeia que deseja arranca-lo das nossas salas de aula mostra o rosto desumano de quando a instituição se faz somente alta burocracia fria e morta. Aqui não está minimamente em questão a liberdade religiosa ou o espírito laico. Aqui está em discussão a nossa capacidade de recordar quem somes, de compreender de onde viemos, de raciocinar sobre aonde vamos. A velha Europa tem naquele Crucifixo um essencial cimento de amor, de história, de riqueza, de progresso. Hoje aquele símbolo é sinônimo de paz e de dor que se torna renascimento e, portanto, símbolo de futuro. Pedimos a todos que se oponham a esta nojeira jurídica que nos distancia furiosamente da própria ideia de Europa. Nós não queremos paredes vazias e brancas ao nosso redor. Queremos os sinais daquilo que somos, queremos aquele Crucifico que nos exorta, nos observa, nos empurra a fazer o melhor. 
Escrito por Dom Henrique às 00h48
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Palavra do Papa
Queridos irmãos e irmãs: Na última catequese, apresentei as principais características da teologia monástica e da teologia escolástica do século XII, que poderíamos chamar, de certa forma, respectivamente, de “teologia do coração” e “teologia da razão”. Entre os representantes de uma e de outra corrente teológica houve um amplo debate, às vezes intenso, simbolicamente apresentado pela controvérsia entre São Bernardo de Claraval e Abelardo. Para compreender esta confrontação entre os dois grandes mestres, é bom recordar que a teologia é a busca de uma compreensão racional, enquanto for possível, do mistério da Revelação cristã, que acreditamos pela fé: fides quaerens intellectum – a fé busca a inteligibilidade –, por citar uma definição tradicional, concisa e eficaz. Pois bem, enquanto São Bernardo, típico representante da teologia monástica, enfatiza a primeira parte da definição, isto é, a fides (a fé), Abelardo, que é um escolástico, incide sobre a segunda parte, isto é, sobre o intellectus, sobre a compreensão por meio da razão. Para Bernardo, a própria fé está dotada de uma íntima certeza, fundada no testemunho da Escritura e no ensinamento dos Padres da Igreja. A fé, além disso, reforça-se pelo testemunho dos santos e pela inspiração do Espírito Santo na alma de cada crente. Nos casos de dúvida e de ambiguidade, a fé deve ser protegida e iluminada pelo exercício do Magistério eclesial. Assim, para Bernardo, era difícil estar de acordo com Abelardo, e mais em geral com aqueles que submetiam as verdades da fé ao exame crítico da razão; um exame que comportava, em sua opinião, uma grave perigo, o intelectualismo, a relativização da verdade, a discussão das próprias verdades da fé. Nesta forma de proceder, Bernardo via uma audácia levada até a falta de escrúpulos, fruto do orgulho da inteligência humana, que pretende “capturar” o mistério de Deus. Em uma de suas cartas, com muita dor, ele escreve: “A criatividade humana se apodera de tudo, não deixando nada para a fé. Enfrenta o que está acima dela, escruta o que lhe é superior, irrompe no mundo de Deus, altera os mistérios da fé, mais do que os ilumina; não abre o que está fechado e selado, mas o erradica; e o que não acha viável, considera como nada e rejeita crer nisso”. Para Bernardo, a teologia tem um único fim: o de promover a experiência viva e íntima de Deus. A teologia é, portanto, uma ajuda para amar cada vez mais e melhor o Senhor, como recita o título do tratado sobre o Dever de amar a Deus (De diligendo Deo). Neste caminho, há diversos graus, que Bernardo descreve detalhadamente, até o cume, quando a alma do crente se embriaga nas alturas do amor. A alma humana pode alcançar, já na terra, essa união mística com o Verbo divino, união que o Doutor Melífluo descreve como “bodas espirituais”. O Verbo divino a visita, elimina as últimas resistências, ilumina-a, inflama-a e a transforma. Nesta união mística, a alma goza de uma grande serenidade e doçura, e canta ao seu Esposo um hino de alegria. Como recordei na catequese dedicada à vida e à doutrina de São Bernardo, a teologia para ele não pode senão nutrir-se da oração contemplativa; em outras palavras, da união afetiva do coração e da mente com Deus. Abelardo, que, por sua vez, é precisamente quem introduziu o termo “teologia” no sentido que entendemos hoje, coloca-se em uma perspectiva diversa. Nascido na Bretanha, na França, este famoso professor do século XII estava dotado de uma inteligência vivíssima e sua vocação era o estudo. Ele se dedicou primeiro à filosofia e depois aplicou os resultados alcançados nesta disciplina à teologia, da qual foi professor na cidade mais culta da época, Paris, e sucessivamente nos mosteiros em que viveu. Era um orador brilhante: suas aulas eram acompanhadas por verdadeiras massas de estudantes. De espírito religioso, mas personalidade inquieta, sua existência foi rica em golpes de cena: rebateu seus professores, teve um filho com uma mulher culta e inteligente, Eloísa; esteve frequentemente em polêmica com seus colegas teólogos; sofreu também condenações eclesiásticas, ainda que tenha morrido em plena comunhão com a Igreja, a cuja autoridade se submeteu com espírito de fé. Precisamente São Bernardo contribuiu para a condenação de algumas doutrinas de Abelardo no sínodo provincial de Sens em 1140, e solicitou também a intervenção do papa Inocêncio II. O abade de Claraval rejeitava, como recordamos, o método intelectualista demais de Abelardo, que a seu ver reduzia a fé a uma simples opinião desvinculada da verdade revelada. Os temores de Bernardo não eram infundados, mas compartilhados pelos demais, por outros grandes pensadores da sua época. Efetivamente, um uso excessivo da filosofia tornou perigosamente frágil a doutrina trinitária de Abelardo e, consequentemente, sua ideia de Deus. No campo moral, seu ensinamento não estava privado de ambiguidade: ele insistia em considerar a intenção do sujeito como única fonte para descrever a bondade ou a malícia dos atos morais, descuidando, assim, do significado objetivo e do valor moral das ações: um subjetivismo perigoso. Este é, como sabemos, um aspecto importante para a nossa época, na qual a cultura aparece frequentemente marcada por uma tendência crescente ao relativismo ético: só o “eu” decide o que é bom para mim, neste momento. Não podemos nos esquecer, contudo, dos grandes méritos de Abelardo, que teve muitíssimos discípulos e que contribuiu para o desenvolvimento da teologia escolástica, destinada a expressar-se de forma mais madura e fecunda no século seguinte. Não devem ser desvalorizadas algumas das suas intuições, como, por exemplo, quando afirma que nas tradições religiosas não-cristãs já há uma preparação para a acolhida de Cristo, Verbo divino. O que nós podemos aprender hoje da confrontação, frequentemente intensa, entre Bernardo e Abelardo e, em geral, entre a teologia monástica e a escolástica? Antes de mais nada, penso que mostra a utilidade e a necessidade de uma discussão teológica sadia na Igreja, sobretudo quando as questões debatidas não foram definidas pelo Magistério, que continua sendo, contudo, um ponto de referência iniludível. São Bernardo, mas também o próprio Abelardo, reconheceram sempre sua autoridade. Além disso, as condenações que este último sofreu nos recordam que no campo teológico deve haver um equilíbrio entre os que poderíamos chamar de princípios arquitetônicos, que nos foram dados pela Revelação e que conservam por isso sempre uma importância prioritária, e os interpretativos, sugeridos pela filosofia, isto é, pela razão, e que têm uma função importante, mas só instrumental. Quando este equilíbrio entre a arquitetura e os instrumentos de interpretação diminui, a reflexão teológica corre o risco de contaminar-se com erros, e corresponde então ao Magistério o exercício desse necessário serviço à verdade, que lhe é próprio. Além disso, é preciso sublinhar que, entre as motivações que induziram Bernardo a colocar-se contra Abelardo e a solicitar a intervenção do Magistério, estava também a preocupação por salvaguardar os crentes simples e humildes, aqueles a quem é preciso defender quando correm o risco de ser confundidos ou desviados por opiniões muito pessoais e por argumentações teológicas sem escrúpulos, que poderiam colocar sua fé em perigo. Eu gostaria de recordar, finalmente, que a confrontação teológica entre Bernardo e Abelardo concluiu com uma plena reconciliação entre eles, graças à mediação de um amigo comum, o abade de Cluny, Pedro o Venerável, de quem falei em uma das catequeses anteriores. Abelardo mostrou humildade em reconhecer seus erros. Bernardo usou de grande benevolência. Em ambos, prevaleceu o que deve estar verdadeiramente no coração quando nasce uma controversa teológica, isto é, salvaguardar a fé da Igreja e fazer a verdade triunfar na caridade. Que esta seja também hoje a atitude nas confrontações na Igreja, tendo sempre como meta a busca da verdade. 
Escrito por Dom Henrique às 12h32
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O caminho da vida
Da Didaqué, antigo escrito cristão do séc. I: Há dois caminhos: um de vida e outro de morte, mas há uma grande diferença entre os dois. Ora o caminho da vida é o seguinte: primeiro que tudo, amarás a Deus que te criou; em segundo lugar, amarás o teu próximo como a ti mesmo e aquilo que não queres que ele te faça não o faças tu a outrem. Eis o ensinamento contido nestas palavras: Bendizei aqueles que vos maldizem, rezai pelos vossos inimigos, jejuai pelos que vos perseguem. Com efeito, que mérito tendes em amar os que vos amam? Não o fazem também os pagãos? Quanto a vós, amai os que vos odeiam e não tereis inimigos. Abstende-vos dos desejos carnais e corporais. Segundo mandamento da doutrina: não matarás, não cometerás adultério, não seduzirás rapazes, não cometerás fornicação, nem roubo, nem magia, nem envenenamento; não matarás nenhuma criança, por aborto ou depois do nascimento; não desejarás os bens do teu próximo. Não cometerás perjúrio, não levantarás falsos testemunhos, não terás intenções de maledicência e não guardarás rancor. Não terás duas maneiras de pensar nem duas palavras: porque a duplicidade de linguagem é uma armadilha de morte. A tua palavra não será mentirosa nem vã, mas plena de sentido. Não serás avarento, nem ganancioso, nem hipócrita, nem maldoso, nem orgulhoso; não terás má vontade com o teu próximo. Não deves odiar ninguém: deves corrigir uns e rezar por eles e amar os outros mais do que a própria vida. Meu filho, foge de tudo o que é mal e de tudo o que te parece mal. Vigia para que ninguém te desvie da doutrina, porque esse estará a guiar-te para longe de Deus. Se puderes suportar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não, faz ao menos o que te for possível. 
Escrito por Dom Henrique às 11h18
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Jesus, piedade de mim!
Orações a Jesus Cristo, por Ludolfo de Saxe (1300-1378), dominicano depois Cartuxo em Estrasburgo: Senhor Jesus Cristo, que, para nos mostrares o cume das virtudes, escalaste a montanha com os Teus discípulos, ensinando-lhes as Beatitudes e as virtudes sublimes, prometendo-lhes recompensas próprias a cada um, concede que a minha fragilidade escute a Tua voz, adquira pela prática o mérito das virtudes, e que pela Tua misericórdia obtenha a recompensa prometida. Faz que, considerando o salário, não recuse o esforço do trabalho. Faz com que a esperança da salvação eterna me adoce o amargor do remédio, inflamando a minha alma com o esplendor da Tua obra. Senhor, do miserável que sou, faz um venturoso; conduz-me, pela Tua graça, das beatitudes terrenas às beatitudes da pátria. Vem, Senhor Jesus, à procura do Teu servo, à procura da Tua ovelha errante e extenuada. Vem, Esposo da Igreja, à procura da dracma perdida. Vem, Pai de misericórdia, receber o filho pródigo que retorna a Ti. Vem, Senhor, porque só Tu podes chamar a ovelha que se extravia, reencontrar a dracma perdida, reconciliar o filho que partiu. Vem, para que haja salvação sobre a terra e alegria no céu! Converte-me a Ti e concede-me cumprir uma verdadeira e perfeita penitência, de modo que seja ocasião de alegria para os anjos. Meu doce Jesus, a Quem amo exclusivamente e acima de tudo, eu, pecador, rogo-Te, pela imensidade do Teu amor, que seja apenas consolado por Ti, meu tão doce Deus! 
Escrito por Dom Henrique às 11h04
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Quem quiser ser meu discípulo...
A Vida de São Francisco, por São Boaventura (1221-1274), doutor da Igreja: O pai de Francisco queria que ele comparecesse perante o bispo para renunciar a todos os seus direitos de herdeiro e lhe restituísse o que ainda possuía. Como verdadeiro amante da pobreza, Francisco presta-se de boa vontade à cerimônia, apresenta-se no tribunal do bispo e, sem esperar um momento nem hesitar sobre fosse o que fosse, sem esperar por uma ordem nem pedir qualquer explicação, despe todas as suas roupas e entrega-as ao seu pai. Cheio de fervor, levado pela embriaguez espiritual, descalça também os sapatos e, completamente nu perante a assistência, declara ao seu pai: «Até agora chamei-te pai na terra; doravante poderei dizer com segurança: 'Pai Nosso que estais no Céu', pois foi a ele que confiei o meu tesouro e entreguei a minha fé». O bispo, homem santo e muito digno, chorava de admiração ao ver os excessos a que o levava o seu amor a Deus; levantou-se, tomou o jovem nos seus braços, cobriu-o com o seu casaco e mandou buscar algo para lhe vestir. Trouxeram-lhe um pobre casaco de burel de um camponês que estava ao serviço do bispo. Francisco recebeu-o com gratidão e, apanhando em seguida do chão um pedaço de giz, traçou nele uma cruz; esta veste significava este homem crucificado, este pobre meio despido. Foi assim que o servidor do Grande Rei ficou nu para caminhar atrás do seu Senhor, pregado nu à cruz. 
Escrito por Dom Henrique às 00h12
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Sérias ponderações...
Uma sã discussão teológica na Igreja é útil e necessária, “sobretudo quando as questões debatidas não foram definidas pelo Magistério”. Foi o que disse o Papa nesta manhã na catequese da audiência geral, dedicada ao confronto entre São Bernardo de Claraval, representante da teologia monástica, e o teólogo escolástico Abelardo. Um confronto aceso mas concluído com uma plena reconciliação, porque toda controvérsia teológica, sublinhou Bento XVI, deve também hoje visar a salvaguarda da fé da Igreja e fazer triunfar a verdade na caridade. O grave perigo da “teologia da razão” que tinha como paladino Abelardo, e submetia as verdades da fé ao exame crítico da razão, explicou o Papa, era intelectualismo, a relativização e a discussão das mesmas verdades da fé. Abelardo também considerava a intenção do sujeito como única fonte para analisar a bondade ou a malícia dos atos morais: uma subjetivação perigosa e semelhante, comentou Bento XVI, ao atual relativismo ético. Essas discussões, concluiu o Papa, devem, entretanto, evitar criar confusão nos fiéis simples e humildes, que correm o risco de ser desviados “por opiniões muito pessoais e por argumentações teológicas inconvenientes, que poderiam colocar em perigo a sua fé”.  São Bernardo de Claraval, o Doutor Melífluo
Escrito por Dom Henrique às 00h06
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A Venezuela do Bufão
Caro Internauta, para você, um trechinho da reportagem da revista Veja desta semana sobre e Venezuela do Ditador Hugo Chávez. Leia e pense no Brasil que desejamos para o futuro... Em cinco anos, desde que o coronel se declarou comunista, mais de cinquenta companhias de grande porte e 2,5 milhões de hectares de terra foram estatizados. Mais de 250 000 cooperativas foram criadas para substituir as empresas "burguesas". O resultado é desastroso. A produção das companhias nas mãos do estado caiu 40%, enquanto o número de funcionários duplicou. De todas as terras ocupadas, apenas 2% continuam a produzir. Das cooperativas criadas, 96% já foram desfeitas. Não se pode acusar Chávez de ter mentido sobre suas intenções. "Produtividade e rentabilidade são conceitos do malvado capitalismo e do neoliberalismo", disse o coronel, com sinceridade. A única consequência positiva da devastação do sistema produtivo é a queda da popularidade de Chávez. Com os alimentos escassos, salários congelados, falta de água e luz, os venezuelanos começaram a entender o significado real do que diz o presidente falastrão. Segundo as pesquisas, apenas 17% votariam por Chávez se as eleições fossem hoje. Há um mês, eram 31%. A desastrosa transição para o socialismo só não levou o país ao colapso total porque o presidente conta com o dinheiro da venda do petróleo. Estima-se que Chávez tenha gasto 900 bilhões de dólares em dez anos, metade dos quais proveniente da exportação petrolífera. Em termos de desabastecimento, a vida no país assemelha-se bastante à de Cuba: há escassez de papel higiênico, sabonetes, farinha e leite. Nos supermercados estatais, a lista com os produtos disponíveis é fixada na porta a cada manhã. Quase todos os alimentos são importados. A diferença entre Venezuela e Cuba é que o primeiro país tem quase o triplo da população do segundo e guarda petróleo em seu subsolo. Com gente e dinheiro, a Venezuela é um mercado muito mais atraente para o Brasil que a ilha caribenha. Já Chávez é tão ruim para seu povo quanto os caquéticos irmãos Castro. 
Escrito por Dom Henrique às 21h58
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Nossa identidade: a cruz!

Todos nós devemos gloriar-nos na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é nossa salvação, nossa vida, nossa esperança de ressurreição, e pelo qual fomos salvos e libertos!
Escrito por Dom Henrique às 14h45
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Escuridão de corpo e de mente: a Ditatura da Venezuela
Caro Internauta, veja só um exemplo dos resultados belíssimos da ditadura bolivariana de Hugo Chávez daVenezuela... Este é o futuro da América Latina se rezar na cartilha da esquerda populista: a escuridão até no banheiro! Ir ao banheiro à noite com uma lanterna ao invés de acender a luz, fazer visitas surpresa às grandes empresas para avaliar o consumo das mesmas e multar quem desperdiçar energia elétrica: estas serão as medidas adotadas para economizar energia na Venezuela, segundo o presidente Hugo Chávez. "Se você levanta às três da madrugada para ir ao banheiro, compadre, por quê gastar este pouco de luz? Deixe a lanterna ali, na mesa de cabeceira", pediu o presidente. Como exemplo, o Ditador venezuelano citou o "esbanjamanto" de luz dos grandes centros comerciais e determinou que estes adotem medidas para gerar "sua própria eletricidade". Também citou grandes empresas como o grupo privado de alimentação Polar e antecipou inspeções em todas. Chávez pediu ao vice-presidente, Ramón Carrizález, que corte o fornecimento de energia das instituições do Estado que não obedeçam as normas. Desde abril de 2008, a Venezuela foi cenário de pelo menos quatro apagões de alcance nacional e outros de menor alcance. O setor, nacionalizado em 2007, precisa de uma importante injeção financeira para ser modernizado e ampliar a capacidade de geração. Agora pense bem: é um país assim, uma ditadura vulgar que levou o escuro às universidades, à sociedade e até ao banheiro, que o Governo brasileiro deseja no Mercosul! Por que deseja? Porque tem com ele uma afinidade ideológica irresistível! 
Escrito por Dom Henrique às 14h29
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A Jerusalém do Alto é nossa mãe
Das Cartas de São Jerônimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja: Do que nos devemos felicitar não é de termos estado em Jerusalém, mas de termos vivido bem. A cidade que é preciso procurar não é aquela que matou os profetas e verteu o sangue de Cristo, mas aquela que um rio impetuoso enche de júbilo, aquela que, construída sobre uma montanha, não pode ser escondida, aquela que o apóstolo Paulo proclama ser mãe dos santos e na qual os justos se regozijam de habitar (Sl 45,5; Mt 5,14; Gl 4,26). Não ousarei limitar o poder de Deus a uma região ou confinar num pequeno canto da terra Aquele que o céu não pode conter. Cada crente é apreciado pelo mérito da sua fé e não pelo lugar em que habita; e os verdadeiros adoradores não têm necessidade de Jerusalém ou do monte Garizim para adorar o Pai, porque «Deus é espírito» e os Seus adoradores devem «adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4,21-23). Ora «o Espírito sopra onde quer» (Jo 3,8) e «a terra é do Senhor, assim como tudo o que ela contém» (Sl 23,1). Os lugares santos da cruz e da ressurreição só são úteis aos que levam a sua cruz, ressuscitam com Cristo cada dia e se mostram dignos de habitar em tais lugares. Quanto aos que dizem: «Templo do Senhor, Templo do Senhor, Templo do Senhor» (Jr 7,4), ouçam esta palavra do apóstolo: «Vós é que sois o templo de Deus, se o Espírito Santo habita em vós» (1Cor 3,16). Não creio que falte alguma coisa à tua fé por não teres visto Jerusalém e não me julgo melhor por habitar neste lugar. Mas, aqui ou noutro local, receberás igual recompensa segundo as tuas obras perante Deus. 
Escrito por Dom Henrique às 09h51
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A mais fecunda semente!
Dos Sermões de São Máximo de Turim (séc. V), bispo: A propósito do que diz o Evangelho: «Um homem tomou-o e lançou-o no seu jardim», que homem é esse, em vossa opinião, que semeou o grão que recebeu, como um grão de mostarda no seu pequeno jardim? Penso que é aquele sobre o qual o Evangelho diz: «Um membro do Conselho, chamado José, natural de Arimateia, foi ter com Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus e, descendo-O da cruz, envolveu-O num lençol e depositou-O num sepulcro preparado no seu jardim» (Lc 23,50-53). É por essa razão que as Escrituras dizem: «Um homem tomou-o e deitou-o no seu jardim». No jardim de José misturavam-se perfumes de diversas flores, mas um grão como aquele nunca tinha sido tinha sido jogado ali. O jardim espiritual da sua alma rescendia ao perfume das suas virtudes, mas Cristo ainda não tinha sido aí colocado. Ao sepultar o Salvador no monumento do seu jardim, ele acolheu-O mais profundamente no fundo do seu coração.

Escrito por Dom Henrique às 22h50
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Ainda sobre o lixo da União Europeia
Apareceu em www.zenit.org: Com amargura e sobretudo com perplexidade, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) recebeu a sentença do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, com a qual se condenou hoje este país por colocar crucifixos nas escolas. Um comunicado de imprensa, emitido pela Sala para as Comunicações Sociais da CEI, baseando-se em uma primeira leitura da sentença, considera que nela “se impôs uma visão parcial e ideológica”. O caso havia sido apresentado ao Tribunal de Estrasburgo por Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa, que em 2002 havia pedido à escola estatal Vittorino da Feltre, de Albano Terme (Pádua), na qual estudavam seus dois filhos, que tirasse os crucifixos das salas. A direção da escola se negou, por considerar que o crucifixo faz parte do patrimônio cultural italiano e, posteriormente, os tribunais italianos deram razão a este argumento. Segundo a sentença de Estrasburgo, o governo italiano terá de pagar à mulher uma indenização de 5 mil euros por danos morais. A primeira sentença da história desse tribunal em matéria de símbolos religiosos nas salas de aula considera que a presença do crucifixo na escola constitui “uma violação dos direitos dos pais de educarem seus filhos segundo suas convicções” e da “liberdade dos alunos”. Segundo anunciou o juiz Nicola Lettieri, que defende a Itália no Tribunal de Estrasburgo, o governo italiano entrará com um recurso contra a sentença. O comunicado de imprensa do episcopado italiano considera que esta sentença “suscita amargura e muitas perplexidades”. “Ignora ou descuida o múltiplo significado do crucifixo, que não somente é um símbolo religioso, mas também um sinal cultural – acrescenta a nota. Não leva em consideração o fato de que, na verdade, na experiência italiana, a exposição do crucifixo nos lugares públicos está em harmonia com o reconhecimento dos princípios do catolicismo como parte do patrimônio histórico do povo italiano, confirmado pela Concordata de 1984”, que regula as relações Igreja-Estado nesse país. “Dessa forma, corre-se o risco de separar artificialmente a identidade nacional das suas origens espirituais e culturais”, esclarece. Segundo o episcopado, “não é certamente uma expressão de laicidade, mas uma degeneração em laicismo, a hostilidade contra toda forma de relevância política e cultural da religião”. Por sua parte, o jurista Giuseppe Dalla Torre, reitor da Universidade LUMSA de Roma, considera, em declarações ao serviço de informação da CEI – SIR – que o argumento do tribunal constitui um “raciocínio equivocado baseado em um pressuposto: o crucifixo pode obrigar a uma profissão de fé. No entanto, o crucifixo é um símbolo passivo, isto é, não obriga ninguém em consciência”.  UE: seus inspiradores eram cristãos, seus atuais líderes são pagãos raivosos...
Escrito por Dom Henrique às 21h49
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Só uma notinha beve
Caro Leitor, o tribunal da União Europeia decidiu que a presença de crucifixo nas escolas são um atentado à liberdade religiosa! É a ditadura dos ateus, dos anticristos, os espertalhões que desejam em nome da liberdade impor seu maldito ateísmo! Como podem ver, a Europa continua caminhando, a passos largos, para sua autodemolição. Vamos ver onde esta história vai terminar! Não vai demorar muito para também no Brasil aparecerem novamente os grandes defensores da liberdade pedindo a retirada dos crucifixos dos locais públicos... Quem viver verá!  Querem cancelá-lo do coração do mundo...
Escrito por Dom Henrique às 21h37
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Alimento e bebida de vida eterna
Do Livro “O Sacramento do Altar”, de Balduíno de Ford (séc. XII), abade cisterciense: O salmista diz: «O vinho alegra o coração do homem e o pão robustece-lhe as forças» (Sl 104/103,15). Para aqueles que crêem Nele, Cristo é alimento e bebida, pão e vinho. É pão porquanto dá força e firmeza, conforme a seguinte palavra de Pedro: «Depois de terdes padecido por um pouco de tempo, o Deus que é todo graça, e vos chamou em Jesus Cristo à Sua eterna glória, há de restabelecer-vos e consolidar-vos, tornar-vos firmes e fortes» (1Pd 5,10). É bebida e vinho porquanto dá alegria, segundo a expressão do salmista: «Alegra o espírito do teu servo, pois para ti, Senhor, elevo a minha alma» (Sl 86/85,4). Tudo o que em nós é forte, sólido, firme, alegre e feliz para cumprir os mandamentos de Deus, suportar os males, agir de acordo com a obediência e defender a justiça, tudo isso vem da força deste pão ou da alegria deste vinho. Felizes aqueles cujas ações são fortes e alegres! E, uma vez que ninguém é capaz de o fazer por si mesmo, felizes os que desejam avidamente agarrar-se ao que é justo e honesto e ser, em todas as coisas, fortificados e deleitados por Aquele que diz: «Felizes os que têm fome e sede de justiça» (Mt 5,6). Se Cristo é, desde já, pão e bebida que dá força e alegria aos justos, quanto mais o será na vida futura, quando Se der, Ele próprio, sem medida, aos justos? 
Escrito por Dom Henrique às 21h30
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Tu, que sofreste a morte, arranca-nos da morte!
Ressurreição e vida nossa, Cristo, esperança do perdão, quando nos fere a dor da morte, a vós se volta o coração. Também na cruz a grande angústia da morte humana vós provastes quando, inclinando a vossa fronte, ao Pai o espírito entregastes. Ó Bom Pastor, em vossos ombros vós carregastes nossa dor. Destes a nós morrer convosco do Pai no seio acolhedor. Braços abertos, vós pendestes, e vosso peito transpassado atrai a si os que carregam da morte o fardo tão pesado. Quebrando as portas dos infernos, do céu o Reino nos abris; dai força agora aos sofredores, dai-lhes enfim vida feliz. Os nossos irmãos, que nos seus corpos dormem na paz do vosso amor, por vós estejam vigilantes para entoar vosso louvor. 
Escrito por Dom Henrique às 21h35
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Conduzi-nos para o Reino onde a morte foi vencida!
Fonte única da vida, que nos séculos viveis, aos mortais e réus da culpa vosso olhar, ó Deus, volvei. Pai, ao homem pecador dais a morte em punição, para o pó voltar ao pó, submetendo-o à expiação. Mas a vida, que inspirastes por um sopro, permanece como germe imperecível dum viver que não fenece. A esperança nos consola: nossa vida brotará. O primeiro a ressurgir, Cristo, a vós nos levará. Tenham vida em vosso Reino vossos servos, que Jesus consagrou no Santo Espírito e os guiou da fé à luz. Ó Princípio e Fim de tudo, ao chegar a nossa hora, conduzi-nos para o Reino onde brilha a eterna aurora. 
Escrito por Dom Henrique às 21h26
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No Coração de Deus
Hoje, percorrendo um dos tantos cemitérios que visitei como Bispo, encontrei num túmulo uma inscrição: “Tu não morrerás enquanto fores nos corações dos que te amam”. A frase contém algo de ilusão e de verdade. Algo de ilusão porque por mais que amemos alguém que se foi, por mais que recordemos a pessoa querida que partiu, não a podemos fazê-la tornar à vida. Ela morreu, foi-se: será uma lembrança, uma saudade e depois, inexoravelmente, um esquecimento. A morte existe e machuca, e por mais que queiramos afastar sua triste realidade, não conseguiremos... Frases como esta, na lápide que encontrei hoje, podem ser belas, sentimentais, inspiradoras, mas são radicalmente falsas, ilusórias, de um sentimento que não tem consistência... Mas, aquele dizer lá pode ser verdadeiro também... “Tu não morrerás enquanto fores nos corações dos que te amam”. Será isto verdadeiro se pensarmos no Coração de Deus. O Senhor é Vida, Vida plena, divina, superabundante; o Senhor é amor fidelíssimo, que uma vez amando, jamais deixa de nos amar! Pois bem: o Senhor não se esquece de nós; seu amor não o permitirá nunca. No momento de nossa morte, ele diz: “Vive, para que eu te ame! Vive porque uma vez tendo te amado, jamais deixarei de te amar, pois meu amor é fiel e sem fim! Eu me recordo de ti com amor e minha amorosa recordação te faz viver!” Agora sim, a frase é verdadeira e tem sentido! Viveremos, ressuscitaremos, permaneceremos eternamente em vida feliz porque quem nos criou e nos chamou à vida é fiel e jamais se esquece de nós. Se nos abrirmos para ele, se nele crermos e nele vivermos, nele ressuscitaremos para sempre na Vida plena. Por isso o Pai enviou o Filho, que nos derramou o Espírito: para que vivamos a sua Vida e nele permaneçamos para sempre... 
Escrito por Dom Henrique às 21h17
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A Vida eterna pelo poder de Deus
Do Tratado Contra as Heresias, de Santo Ireneu de Lião (130-208), bispo, teólogo e mártir:

Uma vez plantada na terra, a cepa dá fruto a seu tempo. Da mesma forma, o grão de trigo, depois de ter caído à terra e de se ter dissolvido nela (Jo 12,24), ressurge multiplicado pelo Espírito de Deus que tudo mantém. Depois, graças a um trabalho competente, esses frutos tornam-se utilizáveis pelos homens; seguidamente, recebendo a Palavra de Deus, tornam-se Eucaristia, quer dizer, Corpo e Sangue de Cristo. Da mesma forma, os nossos corpos, alimentados por essa Eucaristia, após deitados à terra e nela dissolvidos, ressuscitarão a seu tempo quando o Verbo de Deus lhes conceder a graça da ressurreição «para glória de Deus Pai» (Fl 2,11). Porque Ele obterá a imortalidade para o que é mortal e a incorruptibilidade para o que é corruptível (1Cor 15,53), porque a força de Deus manifesta-se na fraqueza (2Cor 12,9). Sendo assim, acautelar-nos-emos de nos inflarmos de orgulho - como se fosse de nós mesmos que obtivéssemos a vida - e de nos levantarmos contra Deus, mantendo pensamentos de ingratidão. Pelo contrário, sabendo por experiência que é exclusivamente através Dele que recebemos o dom de viver eternamente, nunca nos afastaremos dos pensamentos verazes sobre Deus e sobre nós mesmos. Conheceremos o poder de Deus e quantos benefícios Dele recebe o homem. Não nos equivocaremos a respeito da verdadeira concepção que é necessário ter de Deus e do homem. Aliás, se Deus permitiu a nossa decomposição na terra, não será precisamente para que, sabendo tudo isso, estivéssemos doravante atentos a tudo, de forma a não menosprezarmos nem a nós mesmos, nem Deus? Se o cálice e o pão, pela Palavra de Deus, se tornam Eucaristia, como pretender que a carne é incapaz de receber a vida eterna? 
Escrito por Dom Henrique às 18h37
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Súplica ao Vencedor da Morte
Vós que por Lázaro chorastes junto às irmãs, e compassivo, Onipotente, o devolvestes aos seus cuidados, redivivo. Cristo Senhor, à vossa herança, por vosso sangue redimida, concedei ver a dor da morte mudar-se em gozo e nova vida. Pelos culpados implorastes, compadecido, a indulgência, e ao companheiro de suplício destes palavras da clemência. Cristo Senhor, à vossa herança, por vosso sangue redimida, concedei ver a dor da morte mudar-se em gozo e nova vida. Chamai os servos que partiram para onde a morte foi vencida. Um hino eterno eles vos cantem, Cristo Jesus, Senhor da vida. Agonizante, ao discípulo por sua mãe destes Maria, para os fiéis terem tal mãe presente à última agonia. Cristo Senhor, à vossa herança, por vosso sangue redimida, concedei ver a dor da morte mudar-se em gozo e nova vida. Chamai os servos que partiram para onde a morte foi vencida. Um hino eterno eles vos cantem, Cristo Jesus, Senhor da vida. 
Escrito por Dom Henrique às 12h43
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Cuidados da Mãe Igreja
a) Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos: diariamente, do dia 1.° ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice. Nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Enchir. Indul., n. 13). b) Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos: a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai Nosso e o Credo, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e uma Ave Maria, ou qualquer outra oração à escolha). 
Escrito por Dom Henrique às 12h22
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Os Santos, nossos amigos, modelos e intercessores
Dos Sermões de São Bernardo, abade (séc. XII): Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas, a eles que, segundo a promessa do Filho, o mesmo Pai celeste glorifica? De que lhes servem nossos elogios? Os santos não precisam de nossas homenagens, nem lhes vale nossa devoção. Se veneramos os Santos, sem dúvida nenhuma, o interesse é nosso, não deles. Eu por mim, confesso, ao recordar-me deles, sinto acender-se um desejo veemente. Em primeiro lugar, o desejo que sua lembrança mais estimula e incita é o de gozarmos de sua tão amável companhia e de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem-aventurados, de unir-nos ao grupo dos patriarcas, às fileiras dos profetas, ao senado dos apóstolos, ao numeroso exército dos mártires, ao grêmio dos confessores, aos coros das virgens, de associar-nos, enfim, à comunhão de todos os santos e com todos nos alegrarmos. A assembléia dos primogênitos aguarda-nos e nós parecemos indiferentes! Os santos desejam-nos e não fazemos caso; os justos esperam-nos e esquivamo-nos. Animemo-nos, enfim, irmãos. Ressuscitemos com Cristo. Busquemos as realidades celestes. Tenhamos gosto pelas coisas do alto. Desejemos aqueles que nos desejam. Apressemo-nos ao encontro dos que nos aguardam. Antecipemo-nos pelos votos do coração aos que nos esperam. Seja-nos um incentivo não só a companhia dos santos, mas também a sua felicidade. Cobicemos com fervoroso empenho também a glória daqueles cuja presença desejamos. Não é má esta ambição nem de nenhum modo é perigosa a paixão pela glória deles. O segundo desejo que brota em nós pela comemoração dos santos consiste em que Cristo, nossa vida, tal como a eles, também apareça a nós e nós juntamente com ele apareçamos na glória. Enquanto isto não sucede, nossa Cabeça não como é, mas como se fez por nós, se nos apresenta. Isto é, não coroada de glória, mas com os espinhos de nossos pecados. É uma vergonha fazer-se de membro regalado, sob uma cabeça coroada de espinhos. Por enquanto a púrpura não lhe é sinal de honra, mas de zombaria. Será sinal de honra quando Cristo vier e não mais se proclamará sua morte, e saberemos que nós estamos mortos com ele, e com ele escondida nossa vida. Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela refulgirão os membros glorificados, quando transformar nosso corpo humilhado, configurando-o à glória da Cabeça, que é ele mesmo. Com inteira e segura ambição cobicemos esta glória. Contudo para que nos seja lícito esperá-la e aspirar a tão grande felicidade, cumpre-nos desejar com muito empenho a intercessão dos santos. Assim, aquilo que não podemos obter por nós mesmos, seja-nos dado por sua intercessão.
Escrito por Dom Henrique às 15h52
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O Cirsto nosso céu e nossa recompensa
Do livro “Os Sete Graus do Amor” do Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular: Na vida eterna, contemplaremos com os olhos da inteligência a glória de Deus, de todos os anjos e de todos os santos, assim como a recompensa e a glória de cada um em particular, das maneiras que quisermos. No Último Dia, no julgamento de Deus, quando pelo poder de Nosso Senhor ressuscitarmos com os nossos corpos gloriosos, esses corpos estarão resplandecentes como a neve, serão mais brilhantes do que o sol, transparentes como cristal. Cristo, nosso maestro e mestre de coro, cantará com a Sua voz triunfante e doce um cântico eterno, elogio e honra a Seu Pai celeste. Todos nós entoaremos esse cântico, com espírito alegre e voz clara, eternamente, para todo o sempre. A glória da nossa alma e a sua felicidade refletir-se-ão nos nossos sentidos e atravessar-nos-ão os membros; contemplar-nos-emos mutuamente com nossos olhos glorificados; escutaremos, diremos, cantaremos esse elogio de Nosso Senhor com vozes que nunca desfalecerão. Cristo servir-nos-á; mostrar-nos-á a Sua face luminosa e o Seu corpo com as marcas da fidelidade e do amor. Veremos também em todos os corpos gloriosos as marcas desse amor com que serviram a Deus desde o princípio do mundo. Os corações vivos abrasar-se-ão de um amor ardente por Deus e por todos os santos. Cristo, na Sua natureza humana, dirigirá o coro da direita, porque essa natureza foi o que Deus fez de mais nobre e sublime. A esse coro pertencem todos aqueles em que Ele vive, e que n'Ele vivem. O outro coro é o dos anjos; ainda que pela sua natureza estes sejam seres mais elevados, nós, os homens, recebemos mais de Jesus Cristo, com Quem somos um. Ele será, no meio do coro dos anjos e dos homens, o supremo pontífice, diante do trono da soberana majestade de Deus. E, diante de Seu Pai celeste, Deus todo-poderoso, oferecerá e renovará todas as oferendas que Lhe forem apresentadas pelos anjos e pelos homens; e estas renovar-se-ão ininterruptamente, e para sempre se manterão na glória de Deus. 
Escrito por Dom Henrique às 15h47
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Só o Senhor é Deus, só o Senhor é Santo
Hoje, a Igreja volta seu olhar e seu coração para o céu e enche-se de alegria ao contemplar uma multidão que participa da glória e da plenitude do Deus Santo. A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, "santo" significa, literalmente, "separado". Deus é aquele que é separado, absolutamente diferente de tudo quanto exista no céu e na terra: Ele é único, Ele é absoluto, Ele sozinho se basta, sozinho é pleno, sozinho é infinitamente feliz. Ele é Deus! Por isso, Santo, em sentido absoluto, é somente o Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A Jesus, o Filho eterno feito homem, nós proclamamos em cada missa: "Só vós sois o Santo"; ao Pai nós dizemos: "Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade"; ao Espírito nós chamamos de Santo. 
Escrito por Dom Henrique às 15h38
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Tu só és o Santo que nos santifica
A nossa fé também nos ensina que este Deus santo e pleno, dobra-se carinhosamente sobre a humanidade – sobre cada um de nós - para nos dar a sua própria vida, para nos fazer participantes de sua própria plenitude, sua própria santidade. Foi assim que o Pai, cheio de imenso amor, enviou-nos seu Filho único até nós, e este, morto e ressuscitado, infundiu no mais íntimo de nós e de toda a Igreja o seu Espírito de santidade. Eis, quanta misericórdia: Deus, o único Santo, nos santifica pelo Filho no Espírito: "Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!" É isto a santidade para nós: participar da vida do próprio Deus, sermos separados, consagrados por ele e para ele desde o nosso Batismo, para vivermos sua própria vida, vida de filhos no Filho Jesus! É assim que todo cristão é um santificado, um separado para Deus. Mas, esta santidade que já possuímos deve, contudo, aparecer no nosso modo de viver, nas nossas ações e atitudes. E o modelo de toda santidade é Jesus, o Bem-aventurado. Ele, o Filho, foi totalmente aberto para o Pai no Espírito Santo e, por isso, foi totalmente pobre, totalmente manso, totalmente puro e abandonado a Deus no pranto, na fome de justiça e na misericórdia. Então, ser santo, é ser como Jesus, deixando-se guiar e transformar pelo seu Espírito em direção ao Pai. Esta santidade é um processo que dura a vida toda e somente será pleno na glória. São João nos fala disso na segunda leitura de hoje: "Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é". 
Escrito por Dom Henrique às 15h36
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Uma multidão de santificados em Cristo
Nesta perspectiva, podemos contemplar a estupenda leitura do Apocalipse que escutamos como primeira leitura. O que se vê aí? Uma multidão. Primeiro, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel. Isto simboliza todo o Israel. Recordemos: 12 é o número do Povo do Antigo Testamento. Pois bem, cento e quarenta e quatro mil equivale a 12 x 12 x 1000, isto é, à totalidade de Israel. Deus não se cansou de chamar o povo da antiga aliança: Israel haverá de ser salvo pelo sangue de Cristo. Mas, há ainda mais: "Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro". Essa multidão são todos os povos da terra, chamados por Cristo, na Igreja, para a salvação, para a santificação que Deus nos oferece. Notemos bem: "uma multidão que ninguém podia contar". A salvação é para todos, a santidade não é para um grupinho de eleitos, para uma elite espiritual. Todos são chamados a essa vida divina que Deus quer partilhar conosco, todos são chamados à santidade! "Trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos. São os que vieram da grande tribulação e lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro". Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, as tribulações desta nossa pobre existência, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo – por isso trazem a palma da vitória; são os que não tiveram medo de viver e, se caíram, se erraram, foram, humildemente, lavando e alvejando suas vestes no sangue precioso de Cristo: são santos não com sua própria santidade, mas com a santidade do Cristo-Deus. Nunca esqueçamos: ninguém é santo com suas forças, ninguém é santo por sua própria santidade: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por ele e por ele sermos transfigurados em Cristo! 
Escrito por Dom Henrique às 15h34
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Os santos: nossos modelos, nossos heróis
Olhemos para o céu: lá estão Pedro e Paulo, lá estão os Doze, lá estão os mártires de Cristo, os santos pastores e doutores, lá estão as santas virgens e os santos homens, lá estão tantos e tantos – uns, conhecidos e reconhecidos pela Igreja publicamente, outros, cujo nome somente Deus conhece; lá está a Santíssima e Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e discípula perfeita do Cristo, toda plena do Espírito, toda obediente ao Pai. Eles chegaram lá, eles intercedem por nós, eles são nossos modelos, eles nos esperam. Num mundo que vive estressado, que corre sem saber para onde... num mundo que já não crê nos verdadeiros valores, porque já não crê em Deus, contemplar hoje todos os santos é recordar para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida! Não tenhamos medo de ser de Deus, não tenhamos medo de testemunhar o Evangelho, não tenhamos medo de alimentar nossa visa com o Cristo, na sua Palavra e na sua Eucaristia para sermos inebriados da vida do próprio Deus. Infelizmente, muitos hoje têm como heróis os atletas, os atores, os cantores e tantos outros que não têm muito e até nada para ensinar. Quanto a nós, que nossos heróis e modelos sejam os santos e santas de Cristo, que foram heróis porque se venceram e correram para o Cristo! Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser. Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós! 
Escrito por Dom Henrique às 15h29
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